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Depois
de meio mundo de denúncia, a torto e a direito,
quase dando a entender que este é o país da
presepada, a Receita Federal, de quando em vez,
acha por bem de descobrir, não se sabendo ao
certo, se finalmente vai desbaratar por completo
- claro, às vezes o peido fede mas só tem
casacudo perfumadíssimo no meio, aí já
vem o
enterro de volta -, uma quadrilha fraudando isso
ou aquilo. Como sempre lido e ouvido, lá consta
sempre fraudar, de fraude; e não de colocar
fraldas, hem hem, nas falcatruas e apropriações
do erário público. Pois, flagraram uma fraude.
Grande novidade. No Brasil é de cantar
"Aleluia". Cascaviam, parece. Agora encontrar o
nome dos envolvidos é que é ela. Alguém sabe?
Alguém viu? Se fosse eu, já estava no opróbrio
popular e trancafiado. Mas como aqui a corda de
guiamum só pára no mais fraco, os de cima estão
nas benesses de pertencer ao reino dos céus.
Porque, gente, o que tem de nego graúdo no meio,
ôxe, é tanto que escapa pelo ladrão. Se tiver um
sujeitinho de tope menor, ah! vai logo pro
cadafalso não passando de mero bode expiatório.
Pois é.
A incredulidade
é tanta, apesar da esperança vencer o medo, que
a gente até acha graça. E tem que achar mesmo.
Até agora, justiça só serve mesmo para ladrão de
galinha esfomeado, ou melhor, para pé rapado. Os
outros, ah! esses compram qualquer conivência.
O negócio da
trapaça já está tão enraizado na índole do
brasileiro, que até, preconceituosamente, os
racionais - será mesmo? - acham de nomear os
irracionais nas suas estripulias. Não sabiam?
Verdade. Fraude mesmo tem uma representação no
reino dos animais: gato por lebre, que
significa: passar rasteira nos bestas. E a
manchete da semana devia ser sempre assim:
raposa passa gato por lebre no leão. Nossa,
seria mais sintomática, porque o que se descobre
de falcatrua que não dá em nada, já deu pro
gasto e hoje não tem mais graça.
Tanto que o
brasileiro que sempre gostou de sapecar
manganção no bicho - a meu ver, o verdadeiro
bicho é o homem porque é o mais esquisito! -, é
afeito a um joguinho de azar na águia, no pavão,
isso do primeiro ao quinto, com centena, dezena
ou milhar, ou seca na cabeça. Tem das suas:
arruma gato na energia, jacaré na água, macaco
na nota, isso tudo para engalobar o abestalhado
desavisado: chapéu de otário é marreta. É o
jeitinho cordial de se livrar das mazelas. Se
não dá certo, paga mico; se for flagrado, vira
avestruz; não ensina a ninguém o pulo do gato,
tá doido? E quando o negócio enfeia, cada macaco
no seu galho, pt saudações.
Mas tudo isso
está no anedotário popular e, quase sempre, são
coisas de pouca monta. A bronca mesmo é com os
tubarões. Ah! com esses ninguém mexe, claro, têm
dinheiro no banco - mesmo que o banco nem queira
saber de onde vem o dinheiro mais sujo que se
possa imaginar -; têm posse e maior pavoneamento
com uma penca de cheleléu servil para beijar-lhe
os ovos, isso no judiciário, no executivo e no
legislativo; têm mugido maior que boi ferrado;
quando mexe no que é seu - que normalmente é
tomado à força dos outros -, dá mais latido que
cão esfomeado; isso sem contar com a sabedoria e
astúcia dos símios mais aparentados, de tirar
proveito em qualquer circunstância de flagrante
prejuízo. E mais: sem contar com a boquinha que
todo passarinho caboeta traz para facilitar as
saídas mais escusas. Isso será que tem jeito?
Avalie.
É, roubalheira
macha, me dá até a idéia de que fraudulência tem
a ver com flatulências: umas fedem, mas passam;
outras saem tão furtivamente que nem a gente
mesmo sente que largou o peidorreiro. Pode?
Parece que os caras ou tomam perfume, ou se
entopem com suco de craviola.
Salve, salve
esse Brasil de todos nós e de ninguém! Bié, bié,
glup, glup |