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Luiz Alberto Machado
Gente, essa eu tenho que dividir com vocês. Não me levem a mal, mas uma dessa não pode passar em branco. Juro. Tem que constar nos anais da besteirada. Vamos nessa. Como todos já estão desconfiando, acertaram: o Doro apronta cada uma. Por isso é que ele é o verdadeiro bacharel das chapuletadas. E digo mais: não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe, muito menos me perguntem como é que de uma cabecinha tola, beócia, biltre como a dele, consegue juntar tanta doidice uma atrás da outra, sem intervalo, sem dó nem piedade. Arrepare só, basta ele fisgar qualquer que seja a circunstância, pronto, o revestrés já vem sobrando o mico prá pagar geral. Isso sem choro nem vela. Vacilou, passou recibo. Na bucha. Tei bei. Desembromando, seguinte: dia desses inventei de escrever um artigo sério "Assinando a rogo", que foi publicado na Gazeta de Alagoas. Ninguém leu, ninguém nunca viu. Por causa disso, ele chegou todo pabo, com aquele sotaque matuto de curau de galocha, arrastando nos rrs e posudo em riba da fivela. Apertem o cinto que lá vem disparate!
- Vancê iscreveu, iscreveu e num disse nada. Tudo
muito bonitim, arrumadim, jeitosim, cumprido de
quage tomá meia página do jorná, no fundo: nada.
Na vera mermo nem tantim assim qui dê prá gente s´assuntá.
Só se sarva a úrtima frase: "Continuo
assinando a rogo". O resto intendi
patavina.
- Como assim, Doro - puxei intrigado, sabendo que
daquele mato ia sair um coelho maior do que possa
prever a mágica.
- Ocê fala disso, daquilo, daquelotro, estatiticas
(sic!), indiquicis (!?), patati, patatá, na vera:
num diz coisa cum coisa. Num dá doistõi de lero,
neres de nada mermo.
- Como é? -, eu já estava ficando com um pé atrás
nessa lorota. Vôte, pelo menos para minha satisfação
alguém leu minha sandice.
- Premêro ocê fala duma tár de lei como se isso
valesse arguma coisa. Por um acauso cê já viu urêia
de freira? Ou fiín de puta chamado Júnior? Ou cabeça
de bacaiau?
- Nunca.
- Pois é, entonse, a merma coisa é lei. Essa, pelo
que eu sei, só tem logo de duas, aprenda: uma qui
ninguém sabe prá que serve e outra que só tem
serventia prá pobre. É feito a pelada dos
Biriteiros contra o Jeringonça Futebol Clube, no
campinho da varge de lá do bairro onde moro. No
jogo de bola tem juiz, tem jogadô e tem a torcida
dos a favor e dos contra. Num tem?
- Tem.
- Tem regra, num tem?
- Tem.
- Todo mundo sabe o qui é pênalti, sabe o que é
escanteio, sabe o que é falta. Num sabe?
- Sabe. Pudera, né?
- Se o juiz num dé, vale?
- Não vale. Passou batido e fica nisso mesmo. - Nego bota o pé na goela do outro, arreia o sarrafo, a torcida se ouriça, todo mundo puto, juiz não deu, vale? - Num vale. - Todo mundo tá careca de sabê qui aquilo é pênalti, num sabe? - Sabe. - Se o juiz num dé, vale? - Não vale. - Maisi todo mundo viu, todo mundo sabe, todo mundo berra, dá pinote, sorta os cachorro, maior gogó, maisi o juiz num deu, adianta? - Nada.
E o pior é que esse Doro dispara cada asneira chega deixa a gente com a orelha na frente da pulga, num é não? Bié, bié, glup!glup!
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09.12.2002