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COM A ESPERANÇA EM DIA! Luiz
Alberto Machado Ô, minha gente, o Brasil pode ou não pode dar certo? Sabe por que pergunto? Arre, pelo fato de forçar a vista com lupa e telescópios maiores que o Hubble e quase, inacreditavelmente, num está dando nem para ver se essa possibilidade pode se insinuar na condição do remoto ou do encantado. Como é, pode ou num pode? Ih, será? Tem que pagar prá ver. Ou melhor, quem viver, verá! Esperanças, inegavelmente, existem, claro, pelo menos da minha parte. Principalmente agora, depois deste pleito eleitoral que levou, finalmente, a gente na maior lavagem de alma conduzindo Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da nossa xucra república. Mas, cá prá nós e toda a torcida do Flamengo injuriada: consertar mais de quinhentos anos de vícios, de chicanada, corrupção, presepada, maledicência, fudelança, jeitinho e propinagem, nossa! Dá? A meu ver, nem um ser de outro mundo com super-poderes para resolver num só mandato. Isso, a gente já está careca de saber e mesmo que a vaca tussa ou que o porco torça o rabo que a coisa num vai melhorar assim da noite pro dia!!! Desde o descobrimento que a gente sabe o acidente que foi a chegada dos portugueses que queriam mesmo era a riqueza das Índias. Pontaria lusitana: atiraram num, erraram no outro. O alvo só mangando. Aqui, quando chegaram, com deus e tudo numa cagada da porra, num encontraram nada que pudesse sustentar a pose do império. Só exotismo. Mesmo assim, arrocharam forças arrancando o pau-brasil num tráfico danado. Esse confisco não ficou por aí e aconteceria de qualquer forma mais cedo ou mais tarde. E nem mesmo a independência nas circunstâncias em que ocorrera, conseguiu mudar alguma coisa: novidade alguma sob o sol. Quando chega a proclamação da república numa festa de bananas e abacaxis, o nó já se avolumava prá mais de cego, confirmando oligarquias que perduraram por anos e construindo novas. Se se der uma brechada na história, poderá averiguar que, depois disso, foi se produzindo um empeno de chega num ter fim, sacudindo a vida brasileira no maior catabí histórico de todo o planeta. Não bastando as turbulências políticas, tudo desagua em golpes, sacanagens, arrumações e picaretagens, construindo um negrume de breu capaz de defenestrar qualquer pontinha de esperança longínqua. Até chegarmos aos nossos dias, dando pinote mais que cabrito doido, tentando, finalmente, produzir cidadania e dignidade humana aos brasileiros subjacente aos maiores custos de todos os brasis do fim do mundo. Cenário este espoucando um sem número de rombos, corrupções e afanações descaradas, chega desmantelar de vez a integridade e reputação do nosso povo, tido como o fabricante de bosta e do jeitinho que não consegue dar um passo sem molestar com uma propina em qualquer que seja a empreitada. Isso sem contar que o Brasil foi o último a abolir a escravatura e que até hoje não conseguiu implementar uma reforma agrária consequente, nem que sua riqueza gerada seja repartida com eqüidade. Consegue, paradoxalmente, ser uma das maiores economias do mundo, com uma alto índice de analfabetismo, pobreza e injustiça social, a ponto de o mundo inteiro não levar nada no nosso país a sério. Principalmente pela munganga da elite mais egoísta e retrógrada do planeta!!! Quem espera que o executivo sozinho possa fazer alguma coisa de progressiva na restauração da dignidade e cidadania brasileiras, deve ficar com um pé atrás na desconfiança de um congresso nacional torpe. Ou melhor, quem confia nesse congresso chicaneiro? Eu mesmo tenho na conta de que as coisas sérias necessárias para o povo virarão marmelada nas mãos inexcrupulosas desses políticos. Prova? Onde é que a merda fede mais? Ora, em Brasília onde se caga além da conta, esborrando as possibilidades o urinol do possível. Pergunto: os congressistas são ou não são co-responsáveis pela produção da maior meleca nacional até hoje? Daí, é preciso olho vigilante nas ações dos parceiros da porcaria que transformam a capital do país no maior cagádromo de seus disparates e o cafofo de suas libidinosas intenções em foder a alma da gente. Eu mesmo, gente, digo, reafirmo e reitero veementemente: bote fé, senão a coisa fica mais empenada de forma a não ter mais jeito. Se a gente num tiver esperanças para isso, ora, quem terá? Quem? Quem? Fui. Bié, bié, glup, glup.
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24.11.2002