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SALÁRIO DOS PATETAS Aumento, pelo que eu entendo, só vem para arrebentar com a gente. Sei, porque estou careca de saber, que aumento só vem de bronca, de desacerto, de fila, de aperto, de burocracia, de encheção de saco, de martelada, da gente ficar chiando mais que porco apertado num caçoá. É ou não é? Alvíssaras, o rio só corre pro mar. Prá gente, só malsinadas obrigações de encarcar o toitiço, até arrear relando a venta no chão. Aí, já se sabe, não dá prá ser feliz. Pior não é nada, quando os apresentadores de TV, ou os locutores de rádio, ou as manchetes dos jornais anunciam, pomposa e garrafalmente, que: - O governo concedeu aumento de... - ah! já sei, ou foi da gasolina, ou na tarifa de energia elétrica, ou de carestia, ou de arrombamento da nossa coitada alma combalida. E pei buft! E num dá outra, na batata! É uma corda de guaiamum de num ter mais fim, findando pelo nosso aperto na maior gastura, resultado daquele famigerado efeito em cadeia mais conhecido como cascata. Dá num canto e estoura por toda parte. Só vejo o espoucar das notícias: aumento de tantos por cento para isso, de num sei quanto para aquilo, de lá vai carrada de mais de num sei quê. Tudo pela hora da morte. É de deixar o sujeito no escanteio com a maior cara de tacho! Pode? Isso porque quando é de salário de trabalhador, ah! bulhufas! já sei a migalha espremida, minguada, pirrototinha que vem. Num dá nem para encher o buraco do dente. E se sai gorda do bolso dos outros, num dá nem prá chegar na nossa mão que já desaparece ou fica invisível. E mais: receita, é um sacrifício da gota para creditar a gente; ora, mas quando é prá sair, a cédula sai puxando mais de cem pro bolso alheio. Então, fico matutando: ou eu sou um caipora fedorento ou o dinheiro antipazou-se mesmo de mim. Pois o que pelejo para sobreviver, já passou e muito de dar nó em pingo d´água, de fuçar pedra bruta prá ver se cai leite, de dar bundacanasca na corda bamba, de dar murro em ponta de faca, ôxe, nem mais. Só falta mesmo virar pelo avesso para ver se sai outro em meu lugar. Aí, sim, pode ser que dê para ficar mangando da leseira desse novo sujeito. Isso tudo me deixa de orelha em pé e acho até que se o salário mínimo fosse proporcional às malversações no erário público brasileiro, talvez, acredito, fôssemos o povo que tivesse a maior renda per capita do planeta. Num é não? Porque vai gostar assim de uma afanação, assim, na casa de tampanho, vai! Vôte! Agora, vejam só: um pateta dum congressista pernambucano recém-eleito à Câmara Federal acha de propor aumento para ele, os demais patetas federais e do senado, os apatetados estaduais e os patetinhas-mirins-da-idade-da-pedra da vereança de sabe quanto? É brincadeira. Só um asno desse para ter uma idéia de jerico dessas! E o montante? Somente de 107% de aumento. Maior baque! E sabe qual é o argumento? - "Parlamentar num pode viver com salário de chofer de caminhão!". Como é? Peraí, esse cara tá no Brasil mesmo? Claro que não, a esclerose já deve ter comido todo tino dele de sequer enxergar a calamitosa situação porque o real está deixando o Brasil e os brasileiros. O que eu fico imaginando é como esse salafrário iludiu eleitores e conseguiu se re-eleger. Eu sei, todos sabem que a maioria esmagadora da gente dessa laia mente que o cu apita! E identificar como é que ele ludibria uma penca de gente, é que não dá na lógica do meu quengo. Sei da velha prática de compra de votos e dos currais eleitorais ainda remanescentes aqui no Nordeste. Mas, como o negócio está parecendo que o último a sair que apague a luz, urge encher a pança desses políticos fajutos com as tripas assadas dos últimos brasileiros que conseguirem chegar até o ano que vem? Eu, hem? Tô fora. Asas para indignação. Fui!
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10.11.2002