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PRECONCEITO, Ó! XÔ PRÁ LÁ! Luiz Alberto Machado
O pior é que a coisa empaca na manchete da moda e mais nada interessa fora disso. Todo mundo está discutindo a reforma da previdência - cada um que puxe pronde for mais conveniente -, reforma disso, daquilo e nada sai do canto, tudo emperrado; desigualdade comendo no centro, UDR berrando contra sem-terra, funcionário público invocado para não se igualar aos da privada, violência do mesmo jeito, quer dizer, enfim, o Brasil continua o mesmo. E a gente alimentando esperança. Ainda estou esperando o dia amanhecer com novidade sob sol. A injustiça continua a ser o principal problema do Brasil. E quando se junta a outros comportamentos desagregadores - por exemplo, o do preconceito -, aí que o negócio enfeia mesmo. Nossa, fica mais breu que noite de invernada. O tal do preconceito é uma praga! Mesmo que se insista nos direitos e garantias fundamentais de que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza; que é inviolável a liberdade de consciência e de crença, bem como a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas; e muitos outros direitos e deveres individuais e coletivos, parece que está ou todo mundo mouco, ou ninguém sabendo ou fazendo não saber de nada. Mesmo assim, a discriminação é geral de branco com preto, com mulato, com cafuzo, com mameluco, com flamenguistas e todos entre si; de rico com pobre e ao contrário; de rockeiro com sambista e destes com todo o resto e se misturando com aquilo e aqueloutro; de neonazista com judeu, nordestino, homossexual e bote lenha; católico com protestante e de todos com budistas, xiitas, porralouquistas e saravás; de heterossexual com travestis, sadomazoques e camuflados mil; do metido a besta diplomado pelo ignorante; de abastados razoáveis com desafortunados absolutos; e por aí vai numa cambada de chatos sectários que engrossam as fileiras da cabilda dos pós-modernos. Isso sem contar com a famigerada sede de maçarico no consumo - se pode consumir, tudo bem; se não, cai fora. Na verdade, é a lei de que você só vale pelo que tem e pelo mal que possa fazer. Nossa! É um sortimento de parelhas, grupelhos de panelinha e máfias segregadoras, capazes de fincar estaca no molho robusto que está do lado de fora da fuxicada esotérica deles. Maior charanga de exclusão. Isso é maior ainda e mais sentido na pele dos da terceira idade, dos PNE´s, ex-detentos, afrodescendentes, os acometidos por qualquer enfermidade, desempregados e, ainda, as mulheres. Nossa, nunca se viu tão reinante a possibilidade excludente quando se luta aguerridamente pela inclusão. A totalidade do inventário humano condena veementemente todas as atrozes injustiças que a história registrou ao longo dos tempos. Tudo que está registrado nos anais históricos causa a maior repulsa. E a indignação chega ao ponto de interrogar: como é possível ter isso acontecido? É verdade. A história dos vencedores não é tão gloriosa assim. Subjacente a esses louros todos, ainda ruge o sangue revoltado dos perdedores. Mas a hipocrisia reina desde antanho. O preconceito é vigente e flagrante nas mais diversas circunstâncias do cotidiano. Não se respeita a diferença, lamentavelmente. Fico, portanto, com a lição das mãos: quantos dedos temos na mão? Quantos deles são iguais? Se faltar um dedo, faremos a tarefa, mas com dificuldade. Significa, portanto, que todos, juntos, complementam-se para a realização da missão maior da mão: dar as mãos. Vamos? Aí, eu canto Entrega: dê-me a sua mão nessa rua. Nossos sonhos são tantos que eu já nem sei seguir por veleidades...
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18.08.2003