Infecção Hospitalar

Cissa de Oliveira

 

 

Infecção hospitalar é toda infecção adquirida durante a internação hospitalar e geralmente é provocada pela própria flora bacteriana humana, que se desequilibra com os mecanismos de defesa antiinfecciosa, em decorrência da doença, dos procedimentos invasivos, (uso de sonda, catéter, cirurgias) e do contato com a flora hospitalar.

Estudos realizados nos Estados Unidos (Atlanta) pelo Centro de Controle de Doenças – (CDC), mostraram que a infecção hospitalar prolonga a permanência dos pacientes no hospital em pelo menos cinco dias, ao custo adicional de US$ 1.800,00. Embora o problema seja antigo, somente em 1970, as instituições hospitalares começaram a fazer estudos mais aprofundados sobre o assunto.

 

Em 1990, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS) e a Sociedade de Epidemiologistas de Hospitais nos Estados Unidos (SHEA) organizaram uma Conferência Regional sobre Prevenção e Controle de Infecções Nosocomiais, em Washington, onde participaram profissionais da Saúde de vários países, inclusive do Brasil.  Na conferência foram aprovadas várias recomendações para o seu controle, entre elas:

 

-          Manter Comissões Nacionais de prevenção e controle de infecção hospitalar e criá-las nos países onde não existem.

-          Os hospitais para serem creditados devem ter um programa de controle de infecção.

-          Incluir o tema Infecção Hospitalar no currículum de disciplinas relacionadas com as Ciências da Saúde e programas de Educação Continuada.

-          Efetuar investigações epidemiológicas, conjuntas e cooperativas entre instituições estatais e universitárias dos países da região.

-          Identificar laboratórios de microbiologia  com reconhecida excelência e eficácia na região, que sirvam de referência na área.

-          Criar grupos de trabalhos em cada país sobre o controle de antibióticos, para padronizar o diagnóstico de resistência nos laboratórios de microbiologia e estabelecer políticas de controle por hospitais.

 Nos Estados Unidos, estudos comparando a incidência de infecções hospitalares em hospitais com controle de infecção atuante, e com hospitais sem o programa de controle, mostraram que: no primeiro caso, ocorreu uma queda de 32% das infecções  e no segundo caso, ocorreu um aumento de 18%, de onde se conclui que 1/3 das infecções poderiam ser evitadas.

No Brasil, foi elaborado um projeto estudo denominado: “Estudo Brasileiro da Magnitude das Infecções Hospitalares e Avaliação da Qualidade das Ações de Controle de Infecção Hospitalar”, realizado  entre maio e agosto de 1994. Foram analisados 8.124 pacientes com uma média de 11.4 dias de internação. A taxa de pacientes com infecção hospitalar foi de 13.1% .  Estudos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mostraram que somente 38% dos hospitais no Brasil, possuem comissões de controle de infecção hospitalar funcionando e lançou em 15 de maio de 2001, um sistema de informática que serve para interligar as comissões de controle de infecção hospitalar (CIH) (http://www.ccih.med.br/hospital.pdf).

Uma campanha realizada durante um mês em 17 unidades do Hospital de Clínicas (HC) de Ribeirão Preto, conseguiu reduzir em 61.4%, o índice de infecção hospitalar. A campanha consistiu no simples ato dos funcionários lavarem as mãos, e foi lançada pelo Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do HC.

Segundo o fundador da Associação Paulista de Estudos e Controle de Infecção Hospitalar, Antonio Tadeu Fernandes, a análise dos dados nacionais e internacionais, permite chegar à conclusão de que não existe um índice aceitável de infecção hospitalar. “Cada hospital deve reconhecer o seu paciente, a qualidade de seu atendimento e sua microbiota”. Tem mais valor, a análise histórica dos indicadores internos obtidos, do que dados isolados  comparados com determinados padrões externos.

Bibliografia:

Infecção Hospitalar e suas interfaces na área da saúde – Antonio Tadeu Fernandes. SP - Atheneu – 2000.

 

Cissa de Oliveira

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19.08.2003