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OBESIDADE INFANTO-JUVENIL
As hipóteses atuais de mecanismos para a obesidade não apresentam evidência firme, mas representam hipóteses lógicas. Sugerem, ou podem sugerir, outros processos independentes.Existem contradições que oferecem hipóteses prováveis. Os efeitos do baixo peso natal persistem após o controle da região geográfica, nível sócio-econômico, dieta alimentar da criança e tabagismo da mãe e não demonstram aumento da morbidade ou mortalidade para indivíduos cujo peso natal foi maior que a média. As crianças, cujo peso natal é baixo em virtude da escassa nutrição materna no terceiro trimestre da gravidez,podem ter elevação no risco de sofrer hipertensão ou diabetes, mas não obesidade. O excesso de nutrição in útero leva a um aumento de ter obesidade, mas um menor risco de morbidade posterior. Na adolescência, que representa o período crítico final para o desenvolvimento da obesidade, o risco de persistência de obesidade é maior para as mulheres. Apenas 20 % delas voltam ao peso normal contra 70% dos homens, em um período de dez anos.Os homens tendem a sofrer mais as conseqüências da obesidade acometida na adolescência .Esses dados são igualmente obtidos por holandeses, dinamarqueses, suecos e noruegueses. O perfil de alto risco de lipídeos plasmáticos associado ao aumento de gorduras intra-abdominal parece ser independente de hiperinsilunemia e do metabolismo anormal de carbohidratos,. O baixo peso natal aumenta o risco de hipertensão em crianças e adultos, elevando a mortalidade cardiovascular. A exposição precoce à baixa nutrição pode afetar à diferenciação dos centros hipotalâmicos, reduzindo a extensão de replicação de adipócitos. No Ocidente, a obesidade é uma das doenças de significativa prevalência. Há fatores de causas demográficas e comportamentais, mas há um efeito genético significativo na susceptibilidade da doença. A idade do início da obesidade afeta a sua persistência na idade adulta. Identificam-se períodos críticos para o desenvolvimento da obesidade . Isso se faz importante para que sejam acionados mecanismos de prevenção no desenvolvimento da obesidade. Esses períodos são definidos como estádios de desenvolvimento onde as alterações fisiológicas aumentam a prevalência da obesidade. No período pré-natal, criança expostas à fome pré-natal ou períodos precoces da vida e mães diabéticas influem no desenvolvimento de gordura . A supranutrição leva à hiperplasia adipocítica, mas a baixa nutrição pode deteriorar a regulação do ingresso de alimentos e predispor à obesidade posterior. Os limites claros do começo e do fim da fome na Holanda, durante a Segunda Grande Guerra Mundial, permitiram o estudo da nutrição maternal sobre o crescimento infantil. Em outubro de 1944, as forças de ocupação alemã restringiram o abastecimento alimentar no oeste da Holanda. No começo , a distribuição da ração média diária era de 1800 calorias. Depois, foi diminuída para 600 calorias nos seis meses seguintes. Em maio de 1945, após a libertação, o fornecimento voltou à 1700 kcal/dia. Foi estudado o crescimento nos homens holandeses de 19 anos , no momento de seu recrutamento, que tinham sido expostos à fome in útero, ou no período pré-natal,e comparado com outros da mesma idade que não haviam sido expostos a situações restritivas. O resultado encontrado foi uma prevalência de obesidade nos indivíduos expostos à fome no último trimestre da gravidez ou pós natal imediato.Em contraposição, a prevalência à obesidade aumentava entre os jovens que passaram fome nos dois primeiros trimestres de seu desenvolvimento fetal. Estudos mostram o terceiro trimestre da gravidez, quando ocorre a replicação dos adipócitos,é o período crítico para a obesidade em filhos de diabéticas.Apresentam-se significativamente mais gordos do que filhos de pré diabéticas ou de mães normais, independentemente de as mães serem ou não obesas. Esses estudos conceituaram efeitos da regulação do apetite e o número de adipócitos determinados neste período.Essas deficiências ou excessos na nutrição podem afetar diferenciação dos centros hipotalâmicos responsáveis pelo controle do ingresso alimentar. Observaram-se que os efeitos do estado nutricional in útero é que a regulação do apetite e número de adipócitos são determinados nesse período.
endocrinologista e escritora e-mail: arlindalamego@uol.com.br
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04.09.2003