Tuberculose: Um mini-retrato

 

(Parte I)

 

Cissa de Oliveira

 
 
 
 

 

“Em 1993, a OMS declarou a tuberculose uma emergência médica e traçou um plano para diagnosticar 70% dos casos da doença em todo mundo até 2005, e tratar 85% deles”

 

A tuberculose é uma doença altamente contagiosa, transmitida de pessoa a pessoa, e nos últimos anos voltou a apresentar grande importância epidemiológica. Mata dois milhões de pessoas por ano, sendo a principal causa de morte passível de prevenção. O microrganismo causador da tuberculose é o bacilo Micobacterium tuberculosis que é passado do doente para o sadio através de um dentre esses dois mecanismos

 

1 - Transmissão direta: através de aerosóis primários, que são gotículas contento os bacilos em suspensão no ar e que são produzidos no ato de falar, espirrar ou tossir.

 

2 - Transmissão indireta: através de aerosóis secundários, conhecidos como gotículas de Wells, também em suspensão no ar, nos quais estão os microrganismos (bacilos) contidos no muco de escarro e envolvidos pela poeira.

 

Entre esses dois meios de transmissão, o de maior probabilidade é o de transmissão direta, mediada através de secreções da nasofaringe de pessoas portadores do bacilo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cada paciente de tuberculose pode infectar até quinze outras pessoas por ano.

 

Rota de infecção: Inalação de aerosóis infectados vão se alojar na via respiratória. Lá, células de defesas existentes nos alvéolos pulmonares, (macrófagos) englobam o bacilo, mas este tem a capacidade de inativar algumas ações dessas células de defesa e assim, consegue se multiplicar no interior delas. As células de defesas acabam sendo rompidas, liberando nos alvéolos pulmonares, milhares de outros bacilos que reiniciarão o processo.

 

Outras vias de defesa do hospedeiro (paciente) entram em ação e os macrófagos infectados migram para os gânglios e para a corrente sanguínea, entre outros órgãos, disseminando-se pelo organismo. Após duas a quatro semanas, aproximadamente, o processo infecioso está instalado e o  próprio sistema de defesa do organismo vai atacar esses macrófagos, uma vez que eles estão infectadas. Se o foco de infecção for grande (quantidade muito elevada de bacilos), ocorrerá uma necrose no tecido infectado (pulmão, por exemplo, mas é preciso esclarecer que além da tuberculose pulmonar existem outros tipos de tuberculose, como por exemplo a tuberculose óssea, etc).

 

A efetividade da eliminação da infecção vai depender, além do tamanho do foco, da capacidade do paciente responder contra a infecção. E é por isso que pacientes com problemas imunológicos são mais propensos a desenvolverem a tuberculose, uma vez que seu sistema de defesa poderá não responder satisfatoriamente, deixando assim, de eliminar os bacilos nessa fase inicial da infecção.

 

Na seqüência,  surgem os granulomas (células gigantes, formadas por agrupamento de macrófagos infectados) que previnem a posterior disseminação da doença. Em granulomas pequenos, outros macrófagos conseguem penetrar e matar os bacilos ali existentes, mas os granulomas grandes tornam-se encapsulados por fibrina, protegendo os bacilos de serem mortos pelas células de defesa.

 

A partir desse momento, os bacilos podem permanecer quiescentes (sem se multiplicar) no interior dos granulomas, mas podem ser reativados anos depois, seja devido a problemas no estado imunológico do paciente, ou devido a idade do mesmo, ou por causa de doença imunossupressiva, ou por causa de terapia quimioterápica. Menos de 10% dos pacientes apresentam sintomas clínicos na fase inicial da doença, mas quando surgem, são principalmente: febre moderada, perda de apetite, emagrecimento, fadiga e agitação noturna.

 

Fatores de Risco:  Todas as pessoas, eventualmente, estão expostas ao contágio, uma vez que é uma doença transmitida de pessoa a pessoa,  mas ocorrências como alcoolismo, desnutrição, tratamento quimioterápico e imunodeficiência imunológica, são significativos no desenvolvimento da doença.

 

Pesquisas demonstraram que a tuberculose era uma doença típica de país subdesenvolvido. Com profundas raízes sociais, que sempre foi prevalente em áreas onde havia fome, miséria e más condições de moradia, ao mesmo tempo em que era reduzida em regiões onde esses fatores eram extintos.

 

No Brasil, em 1990,  o risco de infecção para a tuberculose variou entre 0,3% e 1,0% nas diversas regiões brasileiras, guardando estreita correlação entre este indicador e as condições sócio-econômica da região, o que significa dizer que as taxas mais altas da doença ocorreram nas áreas com maiores problemas sócio-econômicos.

 

Na Europa e em outras partes do mundo, a tuberculose aumentou devido a fatores como: imigração, deteriorização da infraestrutura da saúde pública, acesso limitado aos serviços médicos e a ocorrência do HIV, sendo que este último, elevou os índices de desenvolvimento da tuberculose em todo o mundo.

 

Países onde a tuberculose era considerada controlada, após a ocorrência da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), passaram a apresentar expressivo aumento no número de casos.

 

Bibliografia: 

  • CDC – Center for Disease Control – Committee to the Advisory Committee for the Elimination of tuberculosis – MMRV. 38: 315-25, 1989.
  • Brasil, Ministério da Saúde. Fundação Nacional da Saúde. Secretaria Nacional de Programas Especiais de Saúde. Divisão de Pneumologia Sanitária. Controle da tuberculose: uma proposta de integração ensino-serviço. Brasília. CNCT/NUTES – 4a. Ed. 1994, 174p.
  • Campos, H.S. Tuberculose um perigo real e crescente. JBM. 70 (5):73-105, 1996.
  • ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD.UNION INTERNACIONAL CONTRA LA TUBERCULOSIS Y ENFERMARIAS RESPIRATORIAS. TUBERCULOSIS Y SIDA. Declaración sobre el SIDA Y la Tuberculosis. Bol. Un Int. Tuberc. 64: 7-11, 1989.

 

Cissa de Oliveira

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16.06.2003