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À MINHA
MÃE
Carvalho Branco
Mulher quase menina,
criando uma nova vida...
é o que a ti vaticina
celeste anjo imortal.
Aconchegar, dar guarida,
carinho, ternura, amor integral
à pequenina criança
que chega, trazendo esperança
de um crescer e realizar...
pois ser mãe não é só parir e criar!
Lembro meus tempos de infância...
de teus cabelos, a fragrância
correndo solta no ar...
Brincando de esconde-esconde,
pela casa, jardins, por não sei onde
mais pudesse eu contigo estar...
Mãe, companheira de folguedos,
que arrumava meus brinquedos,
que me ensinava a sonhar!
Mãe, meu sol, minha estrela, meu luar!...
Cresci, segui meu caminho,
fui construir o próprio ninho,
querendo a ti me igualar...
esquecida que eras figura ímpar, singular!
Tive filhos, dei-te netos
e a eles distribuiste afetos,
ensinaste a amar, compartilhar...
Em casa, eras santa em nosso altar!
Chegamos juntas à velhice,
lembras?... fomos "colegas" de meninice!...
Hoje, já não mais conosco estás.
Restou-nos, na mente, a lembrança
e, no nosso coração, imensa saudade...
de nossos tempos de criança,
da desfrutável felicidade
que os anos deixaram pra trás...
Não mais adianta querer ofertar-lhe flor,
mas há um presente que, sei, te alcançará,
lá onde tu estás, junto a Jesus, a Alá:
a essência mais pura de nosso amor!...
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