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Myriam Peres
Mão leviana
Mão criança
Mão ingrata
Mão lembrança
Mão esperança...
Por que, ao
correr da pena
Escreves frases
de amor?
Se dentro
minh'alma caminha
Em pleno estertor
de dor
Por que me fazes
o favor
Escondendo todo
meu amargor
Se dentro choro,
soluço meu amor...
Tuas palavras
rabiscadas
Cheias de tanta
emoção
São meus
escárnios de vida
Deboches de minha
paixão
São frutas já
amadurecidas
Dos anseios, da
escravidão...
Escreves toda
risonha
Mandando rimas de
amor
Liras bordadas de
tão linda cor
Ao correr da
pena, insinuas
Melódicas
estrofes pausadas
Pousadas,
cantadas, enfeitadas
Um mundo
encantado em flor...
Minha mão tremula
a pena
Ao descrever meus
poemas
Sentidas carícias
de amor
Por dentro, no
esquecimento
Das dores e dos
lamentos
Que finges não
perceber
Minha angústia,
meu sofrer...
Mãos traidoras as
minhas
Uma afagando a
outra
Num linguajar de
carinho
Falam, escondem
tudinho
Pra eu fingir que
esqueci
As dores dentro
de mim...
Ficam cochichando
baixinho
Falando de
segredinhos
Para me compensar
Só para me
enganar
A dor que teima
em ficar
E minha tristeza
se acabar...
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NAVEGA
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